Vacina ou remédio contra o prazer de fumar. Porque não podem funcionar?

- Quais são as motivações que levam uma pessoa a fumar:

As motivações são inúmeras e das mais variáveis. Elas variam em função da idade, do ambiente familiar, do nível sócio-econômico, das origens étnicas e raciais, entre outros fatores. Mas podem ser agrupadas de duas maneiras principais:

- Na juventude, tanto pelo modelo familiar, como pela identificação com o grupo, com pessoas que se destacam socialmente, no meio artístico ou simplesmente induzidos pelos modismos e pelas sofisticadas armadilhas das propagandas divulgadas pela mídia.

- Mais tarde, ou em idade mais avançada, por acreditar que o ato de fumar pode preencher, sem riscos, espaços abertos pelos desequilíbrios e situações emocionais graves ou intensas, repentinas, imprevistas, paliativas para substituir algo ou alguém, busca de uma nova sensação de prazer etc...

Nos meios mais pobres ou em regiões ou países menos favorecidos, fumar é um meio de superar ou enganar a constante sensação de fome; às vezes é mais facilmente disponível do que alimentos. Para muitos, o cigarro substitui o café da manhã,  o almoço, ou o jantar. Paradoxalmente, em classes sociais mais ricas, o cigarro é muitas vezes utilizado para evitar ganho de peso.

Os fumantes de origem mais humilde costumam nem saber realmente porque fumam. A busca de um emprego, resolver problemas de moradia, de escola, problemas com filhos ou com a família, espera para um atendimento médico, administrativo, pagar contas, ou mesmo sobreviver no dia a dia, são os verdadeiros problemas para estas pessoas. 

Por via de regra, poucas são as pessoas que começam a fumar por prazer.

Depois de alguns anos fumando, o prazer de fumar entra como uma das outras motivações pelas quais o fumante, além da dependência psicossocial e química, continua fumando. O prazer de fumar, como sensação bem definida de prazer, aparece após anos de fumo.

Em nossa experiência de 35 anos fazendo fumantes parar de fumar, observamos que raros são aqueles que fumam somente por puro prazer. E, nestes casos, geralmente são poucos cigarros por dia e de forma inconstante. O cigarro costuma ser mais diferenciado, com adição de alguma substância perfumada ou de alguma marca bem específica. Inclusive este tipo de fumante não quer deixar de fumar.

Não existe até hoje, tratamento ou prevenção contra o prazer de comer ou beber, a não ser terapias de apoio, com o uso coadjuvante de antidepressivos, entre outras medicações, com efeitos colaterais indesejáveis. Porque haveria agora, tratamento contra o prazer no hábito de fumar?

 

- Vacina ou remédio para cortar o prazer de fumar, o que se pode esperar deles e porque dificilmente vão funcionar?

A vacina, deveria ser, no entender da população geral, uma medicação preventiva, para se precaver de algo prejudicial.

No entanto, não foi ainda descoberta uma vacina ou um remédio contra o prazer de comer, de beber e de tantos outros vícios, por mais que eles existam. Qual será o motivo?

Porque no caso do tabagismo, o prazer de fumar é apenas uma parcela na origem deste vício. Sua causa é parte de um contexto bem maior, que se encontra na esfera ambiental, familiar, profissional, social, cultural e emocional. Mesmo medicamentos como antidepressivos e adesivos, não têm demonstrado eficácia a médio e longo prazo no tratamento da obesidade, alcoolismo e tabagismo, além de ainda trazerem os inconvenientes de seus efeitos colaterais.

O fumante consciente quer se livrar do cigarro pelos seus malefícios e prejuízos. O prazer de fumar é a parte agradável do vício. Além disso, o fumante tem a sensação de que o ato de fumar o ajuda a resolver seus problemas, a ter uma companhia, a sentir-se mais seguro e mais adulto. Acaba sendo uma ilusão, usado como muleta emocional.

Portanto, mesmo que a vacina ou os medicamentos Champix (nos E.U.A. Chantix), NicVax e outros, sejam divulgados como agentes que eliminam o prazer de fumar, permanecem as diversas causas emocionais e químicas, como a dependência psicológica e física, além do próprio hábito mecânico e seus rituais. O termo ‘vacina’ou remédio contra o prazer, neste caso, não passa de jogada de marketing por parte dos laboratórios, uma vez que pressupõe prevenção do tabagismo ou do prazer.

A criatividade dos laboratórios para produzir novidades científicas para os fumantes, que sonham em abandonar o cigarro sem dificuldade, através de algo milagroso que os faça deixar de fumar mesmo contra sua vontade, se transformará, para muitos, depois dos adesivos e dos antidepressivos, em mais outro dispendioso sonho frustrado.

Nem a vacina, nem os remédios, farão com que a maioria das pessoas que fumam há muito tempo, esqueçam da companhia do cigarro, com a qual têm muitas vezes, paradoxalmente, mais tempo de convivência e facilidade na sua disponibilidade, do que com seu próprio cônjuge ou familiares. Por outro lado, a acupuntura, que existe há milhares de anos e a terapia auricular desenvolvida por F. Marat tem se mostrado bastante eficaz no combate ao tabagismo, de forma econômica e sem efeitos colaterais. Seu mecanismo de ação, ainda não totalmente explicado pela medicina ocidental, provavelmente inclui processos biomoleculares altamente específicos para receptores nicotínicos, que ainda não conseguiram ser totalmente desvendados pelos laboratórios farmacêuticos da modernidade.

 

Volta a página inicial do Instituto Marat

V.250211

 

 

 

 

 

Index: Dependência do cigarro, fumo, nicotina, tratamento do prazer de fumar, causas do fracasso em deixar de fumar